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sábado, 12 de março de 2011

BANHO DE CHUVA

BANHO DE CHUVA 11/03/2011

Dias atrás me lembrei que alguém me falava que o banho de chuva não é saudável.

Busquei no diário da minha memória, onde estava escrito essa frase.

Mãezinha ficava brava, mais tão brava que haja coragem para dar uma escapadinha / e de mansinho / quando a chuva começava /e os primeiros pingos d’água caia / corríamos / e nos escondíamos na rua de cima / para receber a chuvarada nos lombos.

Nos lombos / era assim que falávamos / no lugarejo / aonde cresci /

Quando a chuva caía / o cheiro da terra molhada / nos dava um apetite danado / e / chegamos até provar do gostinho da terra numa bocarada que só vendo / isso muito escondido / e quando era descoberto / o cipó visitava nossas costas /

Ela dizia: / se tomar banho de chuva / vai adoecer de gripe / e se adoecer /

Vai cair no cipó / isso entrava / por um ouvido e saía pelo o outro /o bom mesmo / era cair na chuva / o que viesse depois / não nos preocupava muito /isso tudo acontecia às escondidas / as flores / e as árvores / eram nossas aliadas /

A chuva de tempo / fazia as sementes nascerem / crescerem / e florescer /

A chuva fora de tempo / segurava as flores / e produzia os frutos /

As mangueiras / com suas flores brancas / e suas manguinhas pequenas / verdinhas / eram as nossas preferidas /

Manga verde com sal e pimenta do reino / era o que mais gostávamos /

MANGA VERDE COM SAL / é apenas um grau / para veneno / diziam os mais velhos /

Maravilha!/ é desse veneno que gostamos /

Engraçado / não vi ninguém morrer porque comeu manga verde com sal e pimenta do reino /

Mais / o tempo passou e eu cresci / e hoje / quando chove e sinto o cheiro de terra molhada / só me resta à lembrança / da carreira com os braços abertos de um lado a outro da rua estreita do lugarejo / chamado Estreito! / para receber a chuva / e nela / experimentar a liberdade / de ser feliz da forma mais simples que existe/

Era tão natural ser feliz!/ a simplicidade do banho na chuva / fazia-nos / conhecer o verdadeiro sentido da liberdade /

Queria voltar no tempo e ter a liberdade de ser feliz / com apenas um banho de chuva /

Luza Costa.